terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

AMADORISMO É UM PRIVILÉGIO QUE SÓ O TORCEDOR PODE USUFRUIR.

Alguns dicionários definem AMADOR como aquele que gosta muito de alguma coisa; amante, apreciador, entusiasta.

Espera-se que um torcedor de futebol seja um amador. E que ele goste de seu clube acima de tudo - inclusive do bom senso, do que é plausível, acima até da razão.

Os mesmos dicionários também definem como AMADOR aquele que entende apenas superficialmente de algum assunto ou atividade.

Da mesma forma, parece natural que não seja exigido do torcedor de futebol o mais absoluto conhecimento das regras, regulamentos e regimentos sobre uma partida, um campeonato ou sobre o próprio esporte.

Por fim, uma outra hipótese encontrada nos glossários para AMADOR é aquele que ainda não domina ou não consegue dominar a atividade a que se dedicou, revelando-se inábil, inexperiente, incompetente etc.

Pois bem.

Por entusiasmo, por impulso incontrolável, no chamado calor da emoção, um amador pode tentar justificar atos violentos e covardes (simbólicos e reais) como aqueles encenados no último Ba-Vi.

Por não saber das regras, das possíveis punições, do quanto isso fere a lógica do desporto, por não entender a repercussão internacional que esse ato traria, um amador pode defender a fuga de campo, como vimos no Barradão.

Por inabilidade, inexperiência ou incompetência, um amador pode imaginar que a ordem para o abandono do jogo não seria percebida pela arbitragem, contestada pela equipe adversária e flagrada pelas câmeras de imprensa; e que insistir na farsa de negar esse ato não aumentaria a reprovação geral sobre sua atitude.

Amadores poderiam tudo isso, pois são torcedores - e torcedores são amadores.
Esse é um direito, um privilégio deles. E só deles.

Que, tão logo, as coisas voltem a ser assim. Pelo bem do futebol baiano.








terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CLASSE MÉDIA: QUANDO VOLTAREMOS A CONVERSAR?



É carnaval e tal. É tempo de festa e não de reflexões. Mas deixa eu registrar uma tristeza: quando vejo amigos inteligentes orgulhosamente curtindo e postando conteúdos “pró-mercado, anti-comunistas” - como se pertencessem à elite capitalista, como se não fossem fudidos como nós.

Especialmente no Brasil, onde a concentração de riqueza é abissal, o cara que tem um escritório, consultório, passou em um concurso ou tem uma pequena/média empresa, se comportar como se fosse banqueiro, defendendo uma elite que ri dele, dá uma tristeza enorme...

Daí que a pessoa acha que “defender a direita” é, de fato, proteger seu patrimônio, suas conquistas, seus privilégios. Acha que “ser de direita” é proteger a casa financiada, a escola particular dos filhos, a viagem parcelada com a família.

Ele sabe que comparado a elite real ele é um nada, mas veste a camisa do status quo, defende o atual modelo de sociedade e se regozija por ter um pouco mais que os pobres em geral...

Esse tipo de cidadão - insisto, gente inteligente, estudada, boa praça - acaba por fazer o que Chico Buarque disse: grita com o Paraguai, mas fala fino com os EUA. “Paga pau” para o mercado, mas “engrossa o pescoço” contra pobres, negros, esquerdistas, preguiçosos, culpados pela própria maleza.

Tem muito de responsabilidade nossa nisso: generalizar a classe média é um erro; tratá-la como inimiga é uma tragédia. Está na hora do PT e da Esquerda se reencontrar com a classe média, e não afastá-la como vem fazendo.

Uma bancária, um profissional liberal, uma dona de salão de beleza não pode achar que a Esquerda é sua adversária - e a Direita sua aliada.

Mas registro a tristeza porque percebo que alguns amigos/conhecidos sabem disso tudo, e mesmo assim optaram pelo individualismo, pelo orgulho barato, pelo interesse próprio, pela farinha pouca meu pirão primeiro...

É urgente e necessário romper o Ba-Vi que se transformou a política nacional, onde falsamente quem é de esquerda, quem defende a justiça social, a inclusão econômica e cultural no desenvolvimento do país ou os direitos da pessoa humana, é inimiga dos setores médios.

Sobre ser de esquerda, fico com Pepe Mujica: “É uma posição perante a vida, onde a solidariedade prevalece sobre o egoísmo.” E, penso, nossa tarefa é romper o maniqueísmo típico das redes sociais, reconhecer que há muita gente nas classes médias que pensam como nós e lutar ao seu lado por um Brasil menos desigual, mais justo e com oportunidade para todos!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

COMO 2 e 2: WAGNER SERÁ ATACADO PELA MÍDIA

Votei em Jaques Wagner em 2002. Em 2006 participei de sua campanha. Em 2010 fiz parte da coordenação. De 2007 a 2010 chefiei as Políticas de Juventude do Governo da Bahia e, desde 2011, trabalho diretamente com ele. Já fui seu assessor e chefe-de-gabinete nas passagens pelo Gabinete do Governador, Ministério da Defesa, Casa Civil, Gabinete Pessoal da Presidência e Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Posso dizer que convivo com Wagner há tempos e, portanto, o conheço bem. Por conhece-lo bem, sei da sua honestidade; pelo tempo de convivência, sei quando está “na mira” dos adversários.

Por adversário não entenda aqui nenhum candidato, parlamentar ou partido, mas sim o complexo político-judicial-midiático.

Vou voltar um pouco no tempo e relembrar a época em que estávamos em Brasília, mais especificamente na Casa Civil de Dilma Rousseff. No início de 2016 as coisas pareciam um pouco melhores para o Governo; o processo de impeachment não havia sido instalado; a economia dava sinais de que reagiria; e a administração federal respirava um pouco, após um ano (2015) de intenso ataque daqueles que articulavam o golpe.

Neste cenário, o então ministro-chefe Jaques Wagner buscava tirar a administração petista do isolamento que se encontrava. De um lado, reativava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, alinhavando novos atores para integrar o Conselhão nas diferentes áreas da sociedade, como os sistemas financeiro, bancário, industrial; além da Cultura, Educação e os Movimentos Sociais. Na política, discutia com os partidos a conformação de um Colégio de Líderes mais moderado, menos contaminado com as Eleições 2014 e que pudesse ajudar a pensar saídas para a crise no Brasil – para além do Fla-Flu entre quem votou em Dilma ou Aécio.

O prognóstico era bom, as expectativas eram positivas, Wagner ocupava papel de destaque.

E, por isso, merecia ser atacado – segundo o expediente do aparato de mídia que a essa altura, como até hoje, se articula com setores do judiciário para alcançar fins políticos específicos.

E assim ocorreu.

Wagner sofreu um ataque intenso, covarde, sem brecha para qualquer defesa ou para o contraditório, baseado em frágeis ilações (quando muito) ou em mentiras mesmo (maioria das vezes).

Acreditem em mim. Tenho muito vivo na memória este tempo, estes dias, cada manchete, notícia, coluna... Mas só para ilustrar, posto abaixo um extrato de um curto período e de um único veículo. As imagens abaixo são somente do jornal O Estado de São Paulo, entre os dias 07 e 11 de janeiro de 2016. Vou reforçar: recortes de apenas cinco dias de um único veículo. Foi um bombardeio e tanto.

Por que volto ao assunto? É que o Datafolha divulgou ontem pesquisa sobre a corrida presidencial com o nome de Jaques Wagner como candidato do PT, no eventual (e absurdo) impedimento de Lula.

Wagner não será candidato a Presidente. Ele trabalha, faz reunião, visita cidades, conversa, dialoga, discute, dorme acorda pensando na vaga ao Senado pela Bahia. Mas e daí? Se os jornalistas, editores, articulistas e comentaristas da política nacional dizem que ele será candidato a Presidente, assim vão trata-lo. Tratar, não. Atacar.

Como 2 e 2 são 4, após a inclusão de seu nome na referida pesquisa, Jaques Wagner será alvo da “máquina de moer gente”, a grande mídia nacional.

Podem vir quente. Estamos sempre fervendo.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Guto ganha chance de pensar grande e reencontrar a torcida



O Esporte Clube Bahia anunciou oficialmente o retorno de Guto Ferreira. Não adianta tapar o sol com a peneira: foi uma escolha polêmica. Seja pelas opiniões técnicas quanto aos trabalhos do treinador; seja pelo seu histórico de mudanças abruptas de clubes - sobretudo, claro, a de quando deixou o Bahia esse ano.

Caju para lá; cajá para cá; adianto logo minha opinião: foi uma decisão acertada. Posto aqui as ressalvas, mas apoio a decisão da Diretoria.

Guto "nasceu" com a Chapecoense, "cresceu" com o Bahia e foi buscar a consolidação no Internacional de Porto Alegre. Essa tal consolidação como técnico de primeira grandeza não veio. Por isso, a meu ver, Guto é mais aposta em 2018 do que era em 2016. E explico: na primeira vinda, Gordiola era um treinador em ascensão; hoje é um profissional em busca de recuperação.

Esse é o primeiro motivo pelo qual me expressei contrariamente à sua contratação. A segunda e terceira são de mérito mesmo: (2ª) Guto não valoriza como deveria os jogadores da base e (3ª) é teimoso além da conta. “A teimosia dele nos rendeu Renê Júnior”. Verdade. Mas nos deu também Hernane - o que quase nos custou o Nordestão. Além disso - insisto, a meu ver, um ver de quem assistia os jogos da arquibancada e não estava no dia-a-dia do time - Guto tem um problema de conceituação, de como enxerga seus times, não importando o peso que a Camisa e o Clube tem. Pensou um Bahia menor do que deveria em 2016; repetiu o erro com o Inter em 2017.

Não acho que Bahia e Internacional tinham a obrigação de levantar a Taça na Série B, a ferro e fogo. Mas sua obrigação era tentar, era almejar, lutar e jogar para tal. Se não desse, é da vida, é do futebol. Mas não adotar essa postura altiva foi, é e sempre será um erro.

Parêntese. Ver as equipes de Guto jogando fora de casa é um sofrimento... Fecha parêntese.

Dito isso tudo, deixando todas as ressalvas acima, volto à vida real.

Vida real na qual não existem tantos excelentes treinadores disponíveis, onde o EC Bahia deve (de maneira responsável) contratar um técnico dentro de suas possibilidades financeiras e “colocar o chapéu onde a mão alcança”.

E, sim, neste caso, Guto é uma boa possibilidade. Basta ele mesmo, mais do que a Diretoria ou a Torcida, acreditar, sonhar e querer vôos mais altos.

#BBMP

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A IRRESPONSABILIDADE TUCANA COM O BRASIL


Temer ainda não caiu, mas dizem que cairá em breve. E tem que cair mesmo. Primeiro presidente denunciado em pleno exercício do cargo na história da República, Michel Temer é acusado de corrupção passiva e, se for condenado, pode ficar de 2 a 12 anos preso - além de pagar uma multa de 10 milhões de reais, como reparação de danos coletivos. Não é pouca coisa.

Como também não é fácil de ignorar o fato de que, com Temer, ascendeu ao poder um conjunto de pessoas que tem seus currículos mais próximos do conceito de "ficha corrida" do que de trajetória política. Gente como Eliseu Padilha, Moreira Franco, Romero Jucá, Sandro Mabel, José Yunes, Tadeu Filipelli, Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Uns denunciados, alguns presos, outros já de tornozeleira eletrônica, mas definitivamente todos encrencados com a Justiça.

Então temos um presidente denunciado por corrupção e cercado por assessores ainda mais enrolados, o que torna insustentável a situação de um governo extremamente impopular e absolutamente carente de legitimidade. Não nos esqueçamos: o governo Temer é fruto de um golpe parlamentar.

Assim, ficamos combinados: vai cair.

Eu sei disso, você sabe disso e, ao que parece, os tucanos souberam disso ontem.

Digo ontem porque até pouquíssimo tempo atrás, há menos de um mês para ser exato, o PSDB reiterava seu apoio ao peemedebista sob o discurso de responsabilidade com o país. Disse o prefeito de São Paulo, João Dória, à BBC (16.06): "O desembarque do PSDB do governo neste momento implicaria em colocar o Brasil numa crise profunda no plano econômico e no político."

Hoje, estampam os jornais, a opinião é outra. "Estamos chegando na ingovernabilidade e tem que haver agora um acordo para dar estabilidade mínima para se chegar a 2018" afirmou ao O Globo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ao defender que a bola da vez é afastar Temer e passar o bastão para Rodrigo Maia, do DEM, presidente da Câmara dos Deputados.

Estranho esse conceito de responsabilidade dos tucanos, não? De dia, querem manter o Michel "denunciado pela PGR e recordista de impopularidade" Temer. À noite, querem botar na cadeira de presidente o Rodrigo "também na Lava-Jato e só teve 3% para prefeito no Rio" Maia.

Como está claro, não se trata de um pitoresco conceito, mas sim de plena irresponsabilidade com o país. Os tucanos foram irresponsáveis quando disseminaram boatos durante a campanha de 2014 sobre a morte de Yousseff; foram irresponsáveis quando pediram recontagem dos votos; quando questionaram o resultado das urnas na Justiça; e quando alimentaram a política do ódio anti-petista.

Os tucanos foram irresponsáveis quando se aliaram a Eduardo Cunha para aprovar pautas-bomba e inviabilizar o Governo Dilma; quando apostaram no quanto pior, melhor; quando deram apoio - e dinheiro - aos movimentos de rua pelo impeachment.

Os tucanos foram irresponsáveis quando lideraram o golpe na Câmara e no Senado; quando passaram a integrar o governo Temer; e são ainda mais irresponsáveis ao apostar no golpe dentro do golpe.

O PSDB é irresponsável com o Brasil quando finge viver em um Parlamentarismo Tupiniquim - que só existe em suas cabeças - e brinca de destituir e restituir Presidentes pela vontade do Congresso Nacional.

Não sei se por conta das últimas quatro derrotas nas eleições presidenciais, ou se pelas atuais pesquisas que demonstram a desidratação dos seus candidatos, o fato é que o PSDB foge do óbvio: não é passando o poder para outro presidente não-eleito que sairemos da crise; é necessário e urgente convocar eleições diretas e antecipadas.

Eu sei disso, você sabe disso, até FHC sabe (e defendeu) isso. Está na hora de avisarmos ao tucanos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

PT: REZARAM A MISSA SEM O CORPO PRESENTE



O #BlogDoÉden reproduz artigo  (publicado originalmente no Jornal GGN) de Fernando Horta, historiador, doutorando da UnB. Ótima leitura! 

REZARAM A MISSA SEM O CORPO PRESENTE

“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”

O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”.

Em 1989, Lula recebeu quase 12 milhões de votos para a presidência, fazendo pouco mais de 17% do total. Em 1994, Lula recebia 17 milhões de votos (27% do total) e em 1998 – antes de FHC liberar a crise do real – Lula recebia 21,5 milhões de votos perfazendo quase 32% do total do eleitorado. O PT, que havia recebido 3,1 milhão de votos para governador em 1986, recebeu 5,3 milhões em 1990 (elegendo seu primeiro senador) e em 1994 recebia 6,7 milhões de votos para governador, elegendo os dois primeiro governadores da sigla.

Para um partido que tinha “o futuro bastante complicado” sem “Lulas disponíveis” pelo país, o crescimento era homogêneo, tanto Lula quanto do PT amalhavam votos de forma semelhante. Em 1994, a bancada federal do PT era composta de 5 senadores (um eleito em 1990 e 4 em 1994) e cincoenta deputados federais. Nas eleições de 1998, dominadas pela polêmica emenda da reeleição, o partido faria apenas 59 deputados federais, três senadores e três governadores. O modelo do partido “amador”, na terminologia de André Singer, parecia esgotado. Em 1997, José Dirceu era eleito de forma indireta para a presidência do PT, e com ele surge o chamado “partido profissional”.

Nas eleições de 2002, o partido faria 91 deputados federais, crescendo mais de 70% e Lula seria eleito presidente com 39,5 milhões de votos no primeiro turno e 52,7 no segundo. Em 2001, o PT tinha cerca de quinhentos mil filiados. Qualquer análise séria destes números deve levar em conta a nova gestão feita por Dirceu, mas também o absoluto fracasso do segundo governo de FHC e seu receituário neoliberal. O PT havia crescido suas bases até o máximo que o convencimento oral e a manutenção do “partido-raiz” conseguiram até 1998. O salto dado em 2002 é certamente maior do que o PT. A classe média, cansada e empobrecida, não comprou mais o discurso engomado do PSDB. Lula por seu turno, deixou de usar camisa polo vermelha e figurar como um líder sindical, para vestir terno e gravata. O famoso “lulinha paz e amor”.

De 2002 a 2014, entretanto, durante o momento mais alto da Era Lula e depois o primeiro governo Dilma, o número de deputados federais que o PT elegeu caiu constantemente. Foram 83 em 2006, 73 em 2010 e apenas 70 em 2014. O PMDB mantinha-se como a maior bancada no plano Federal. Já nos municípios, o PT ameaçava seriamente o controle do PMDB. Em 2012 o PT governava 37 milhões de pessoas em termos municipais, batendo pela primeira vez na história da República pós-64 o PMDB, embora fosse apenas o terceiro partido em número de prefeituras. Para um partido que nunca havia feito mais do 5% dos votos totais nas eleições municipais este era um indício perigoso para o fisiologismo do PMDB.

Em 2006, em função do mensalão muitos declararam o Partido dos Trabalhadores “morto”. Inclusive há versões sobre análises internas da oposição à Lula, de que seria melhor evitar o impeachment e deixa-lo “sangrar”. Em 2006, após o primeiro ataque midiático-jurídico ao PT Lula se reelegia com 46,5 milhões de votos no primeiro turno (mais do que na eleição anterior) e 52,2 milhões no segundo turno. O aumento do número de votos supera o crescimento do número total de votantes, mostrando que Lula e o PT ganhavam votos em meio à crise. Ainda, o partido passava de 411 prefeitos eleitos em 2004 para 564 eleitos em 2008 e atingiria o auge de 635 em 2012.

A pergunta que se deve fazer é, este aumento do PT durante o período de crise é efetivamente “PT”? Penso que não. O tamanho de um partido de matriz rígida ideológica é sempre pequeno. O PSOL padece deste problema. Para crescer e amealhar espaços efetivos no sistema federal é preciso aumentar o conjunto de pressupostos ideológicos aceitos como válidos. Alguns dirão que o PT “aumentou demais” o seu conjunto, mas penso que aqui jogou ainda o papel da classe média, embalada pelo crescimento da economia. Em 2010, Dilma faria 47,6 milhões de votos no primeiro turno (mais que Lula em 2006) e 55,7 milhões no segundo turno. No início de 2013, Dilma atingia 79% de aprovação, em 19/3, segundo o IBOPE. O índice era maior que Lula e FHC em seus primeiros mandatos.

Em 2013, começa o ataque ao PT e ao governo Dilma. Primeiro as chamadas “Jornadas de Junho” e, em seguida a campanha presidencial do PSDB coloca em movimento as ferramentas das redes sociais. A economia já dava sinais de retração, seja pelo custo da crise internacional e o recuo das demandas de China e União Européia (nossos dois maiores compradores), seja pela fim do “superciclo” das commodities, o que se vê é que o orçamento brasileiro passa a diminuir. Logo em seguida, em 2014, temos a criação dos grupos protofascistas no Brasil (MBL e assemelhados), hoje se sabe que com financiamento internacional e de partidos como PSDB e PMDB. E recrudesce a Lava a Jato com a tática de Sérgio Moro dos vazamentos para “ganhar o apoio da população”, como ele indicaria em artigo escrito em 2004.

Mesmo com forte ataque midiático, e social (com os movimentos de internet direcionados pela histeria comunista) o PT faria nas eleições de 2014 seu maior número de governadores, cinco. O número de filiados em 2015 crescia mais de 80% em relação a 2014 e era o maior registrado entre os partidos no Brasil. O partido que tinha cerca de 840 mil filiados em 2005, vai atingir quase 1 milhão e seiscentos mil em 2014, aumentando ainda mais este número nos anos seguintes.

No ano de 2014 ocorre um fato que é cabal para o impeachment e o acirramento da campanha de criminalização do PT. Ao mesmo tempo que se discutia no judiciário a proibição do financiamento de campanha por meio de empresas, José Dirceu, José Genuíno e outros políticos do PT conseguiam levantar imensas somas em doações espontâneas e individuais para fazer frente às multas impostas pela justiça. Gilmar Mendes, o representante da oposição no STF naquele momento, perde a compostura diversas vezes, pois via que o PT teria como financiar suas campanhas sem as empresas (o “partido amador”, lembram?), já a elite não. O desespero toma conta de Gilmar, que não só vota contra o fim do financiamento como pede “vistas” ao processo para que a lei não valesse para as eleições de 2016.

Diante de toda a crise política, da lava a jato, da crise econômica, das traições do PMDB e do custo midiático do constante ataque, nas eleições de 2016 o PT ganha apenas 255 prefeitos e faz 2812 vereadores, pouco mais da metade do que fez em 2012 (5181). Parte dos analistas políticos, da mídia e dos intelectuais “ex-esquerda” vestiram preto e sorriam felizes no velório do PT. Vociferavam o fim do partido com felicidade semelhante ao espanto com que receberam a notícia desta semana, de que o PT era o partido mais preferido pela população e que crescia o número de simpatizantes. Vários intelectuais postaram-se a fazer verdadeiras ginásticas retóricas que envolviam desde “compra de apoio por cargos” até a velha “falta de memória do povo”. Tristes pessoas.

A verdade é que a campanha colocada em prática desde 2013 fez desembarcar do projeto nacional petista a classe média que o tinha alçado à presidência em 2002. Mas o custo desta campanha é imenso, seja para o Brasil seja o custo individual, e esta classe média já percebe que a economia do projeto neoliberal vai lhe colocar de novo em 1998. Ainda, estão evidentes os abusos contra Lula (e também contra Vaccari, condenado por Moro a 15 anos, preso por quase dois e depois absolvido no segundo grau!). Isto tudo ajuda na recuperação dos índices do PT, mas o principal ponto é sua militância.

Em toda a turbulência, o militante do PT tem se mantido fiel. Não precisou trocar de candidato nem apagar fotos correndo, conforme provas robustas iam sendo apresentadas na mídia contra PSDB e PMDB. Lula é sem dúvida o grande nome para 2018, mas não subestimem o maior partido de massas de esquerda da América Latina. Tampouco imaginem que a classe média é completamente manipulável. Quando começa a faltar comida na mesa não adianta vídeo no youtube, pastor entregando panfleto anticomunista ou palestra motivacional de “empreendedorismo”. A verdade é que alguns fizeram um velório sem corpo. Riram antes da hora e agora não sabem explicar o motivo do crescimento do PT. Desconfio, pela ética dos comentaristas, que vai acabar terminando no “povo”. Vão voltar a dizer que o povo é “burro” e “sem memória”. Tudo fazem para conseguir uma “democracia sem povo”, uma democracia “mais limpinha e cheirosa”. As máscaras caem mais rápido do que eles conseguem recolocá-las.

terça-feira, 13 de junho de 2017

MIRIAM LEITÃO SEMEOU VENTO; COLHEU TEMPESTADE.



Miriam Leitão não é terrorista. Adjetivá-la assim é covardia, sobretudo por ter sido ela presa pela Ditadura. Empurrar sua cadeira, como a jornalista relatou no artigo de hoje, é mais grave ainda, é agressão e merece todo repúdio.

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Dito isso, há vários entretantos, contudos, todavias e poréns nessa história toda.

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O primeiro entretanto se chama empatia. Para a Psicologia, empatia é a identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la.

Miriam provoca nossa empatia com o seu texto. Sentimos dó, pena, nos colocamos no lugar dela e podemos perceber a injustiça, a agressividade, a sensação de impotência...

Mas, pôde Miriam, n´algum momento, se colocar no lugar dos petistas? Pôde a jornalista pensar sobre os sentimentos dos militantes? Conseguiu ela refletir sobre quais reações suas opiniões e posturas poderiam provocar ao longo destes anos?

Por óbvio a ação dos dirigentes naquela aeronave foi errada e por muitos já condenada. Mas ninguém vai se colocar no lugar deles? Lanço aqui um desafio a Miriam e a todos que estão com o dedo em riste acusando os petistas de serem intransigentes, intolerantes e até violentos.

Se coloca no nosso lugar.

Põe uma camisa da CUT e vai andar no Eixão, para saber o que é coação.

Veste um boné do MST e experimenta ir ao Iguatemi, para ver o que é intolerância.

Nas redes sociais, tenta defender Lula e entenderá o que é perseguição.

Pega o mesmo vôo de volta a Brasília com a camisa do PT e saberá o que é manifestação de ódio...

Não estou defendendo o revanchismo, o olho por olho, o justiçamento. Longe disso. Mas não posso deixar de pontuar a parcela de responsabilidade que outros personagens tem sobre a consolidação deste cenário, extremado e perigoso.

Quem semeia vento, sem erro, colhe tempestade.

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Eu sempre fui bastante liberal neste quesito: políticos, personalidades, figuras públicas, tem que saber que estão expostos a manifestação popular. Lembram quando Dilma foi vaiada numa universidade nos EUA? Escrevi texto defendo o direito do cara de fazer isso.

Acho errado abordar a figura pública quando está no "dia de folga", em ambiente privado, com a família e filhos, etc. Agora, na rua? No aeroporto? Mas é claro que pode. No linguajar católico, é nosso dever e nossa obrigação.

Querer transformar isso em crime, deselegância ou coisa que o valha, se aproxima de Dória e sua ridícula tentativa de censurar críticas a ele nas redes sociais, ou a Temer e a grotesca iniciativa de proibir uso de sua imagem em memes nas redes sociais. Miriam Leitão, assim como toda e qualquer pessoa pública, tem que se submeter, sim, a um possível constrangimento popular. Digo e repito: sem covardia, agressão ou injúria.

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Outra coisa , me lembrou o amigo Fernando Stern, ela sofisma ao dizer que a emissora foi fundada depois de Getúlio, afinal de contas o jornal O Globo existia e foi, sim, atacado após seu suicídio (ver abaixo).

Ela, nesse caso, acusa os petistas não ter conhecimento histórico mínimo. Ou a carapuça serve para ela; ou foi cinismo puro. Vai saber...

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PS: por curiosidade, não mais que isso, dá um Google na expressão "Miriam Leitão repudia ataques ao PT"... Que tal?

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Sobre o ataque ao Globo:

No entanto, após o suicídio de Getúlio, os veículos de imprensa, artífices do golpe foram também golpeados pela população ensandecida.

A "Tribuna da Imprensa" de Lacerda foi empastelada. A redação de 'O Globo' foi atacada, carros do jornal foram destruídos, o 'Jornal do Commercio' teve sua oficina invadida, vários dos 17 jornais foram alvos da massa", diz Janio de Freitas.



http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/151113/Janio-conta-como-Get%C3%BAlio-foi-morto-pela-m%C3%ADdia.htm