sexta-feira, 7 de julho de 2017

A IRRESPONSABILIDADE TUCANA COM O BRASIL


Temer ainda não caiu, mas dizem que cairá em breve. E tem que cair mesmo. Primeiro presidente denunciado em pleno exercício do cargo na história da República, Michel Temer é acusado de corrupção passiva e, se for condenado, pode ficar de 2 a 12 anos preso - além de pagar uma multa de 10 milhões de reais, como reparação de danos coletivos. Não é pouca coisa.

Como também não é fácil de ignorar o fato de que, com Temer, ascendeu ao poder um conjunto de pessoas que tem seus currículos mais próximos do conceito de "ficha corrida" do que de trajetória política. Gente como Eliseu Padilha, Moreira Franco, Romero Jucá, Sandro Mabel, José Yunes, Tadeu Filipelli, Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Uns denunciados, alguns presos, outros já de tornozeleira eletrônica, mas definitivamente todos encrencados com a Justiça.

Então temos um presidente denunciado por corrupção e cercado por assessores ainda mais enrolados, o que torna insustentável a situação de um governo extremamente impopular e absolutamente carente de legitimidade. Não nos esqueçamos: o governo Temer é fruto de um golpe parlamentar.

Assim, ficamos combinados: vai cair.

Eu sei disso, você sabe disso e, ao que parece, os tucanos souberam disso ontem.

Digo ontem porque até pouquíssimo tempo atrás, há menos de um mês para ser exato, o PSDB reiterava seu apoio ao peemedebista sob o discurso de responsabilidade com o país. Disse o prefeito de São Paulo, João Dória, à BBC (16.06): "O desembarque do PSDB do governo neste momento implicaria em colocar o Brasil numa crise profunda no plano econômico e no político."

Hoje, estampam os jornais, a opinião é outra. "Estamos chegando na ingovernabilidade e tem que haver agora um acordo para dar estabilidade mínima para se chegar a 2018" afirmou ao O Globo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ao defender que a bola da vez é afastar Temer e passar o bastão para Rodrigo Maia, do DEM, presidente da Câmara dos Deputados.

Estranho esse conceito de responsabilidade dos tucanos, não? De dia, querem manter o Michel "denunciado pela PGR e recordista de impopularidade" Temer. À noite, querem botar na cadeira de presidente o Rodrigo "também na Lava-Jato e só teve 3% para prefeito no Rio" Maia.

Como está claro, não se trata de um pitoresco conceito, mas sim de plena irresponsabilidade com o país. Os tucanos foram irresponsáveis quando disseminaram boatos durante a campanha de 2014 sobre a morte de Yousseff; foram irresponsáveis quando pediram recontagem dos votos; quando questionaram o resultado das urnas na Justiça; e quando alimentaram a política do ódio anti-petista.

Os tucanos foram irresponsáveis quando se aliaram a Eduardo Cunha para aprovar pautas-bomba e inviabilizar o Governo Dilma; quando apostaram no quanto pior, melhor; quando deram apoio - e dinheiro - aos movimentos de rua pelo impeachment.

Os tucanos foram irresponsáveis quando lideraram o golpe na Câmara e no Senado; quando passaram a integrar o governo Temer; e são ainda mais irresponsáveis ao apostar no golpe dentro do golpe.

O PSDB é irresponsável com o Brasil quando finge viver em um Parlamentarismo Tupiniquim - que só existe em suas cabeças - e brinca de destituir e restituir Presidentes pela vontade do Congresso Nacional.

Não sei se por conta das últimas quatro derrotas nas eleições presidenciais, ou se pelas atuais pesquisas que demonstram a desidratação dos seus candidatos, o fato é que o PSDB foge do óbvio: não é passando o poder para outro presidente não-eleito que sairemos da crise; é necessário e urgente convocar eleições diretas e antecipadas.

Eu sei disso, você sabe disso, até FHC sabe (e defendeu) isso. Está na hora de avisarmos ao tucanos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

PT: REZARAM A MISSA SEM O CORPO PRESENTE



O #BlogDoÉden reproduz artigo  (publicado originalmente no Jornal GGN) de Fernando Horta, historiador, doutorando da UnB. Ótima leitura! 

REZARAM A MISSA SEM O CORPO PRESENTE

“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”

O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”.

Em 1989, Lula recebeu quase 12 milhões de votos para a presidência, fazendo pouco mais de 17% do total. Em 1994, Lula recebia 17 milhões de votos (27% do total) e em 1998 – antes de FHC liberar a crise do real – Lula recebia 21,5 milhões de votos perfazendo quase 32% do total do eleitorado. O PT, que havia recebido 3,1 milhão de votos para governador em 1986, recebeu 5,3 milhões em 1990 (elegendo seu primeiro senador) e em 1994 recebia 6,7 milhões de votos para governador, elegendo os dois primeiro governadores da sigla.

Para um partido que tinha “o futuro bastante complicado” sem “Lulas disponíveis” pelo país, o crescimento era homogêneo, tanto Lula quanto do PT amalhavam votos de forma semelhante. Em 1994, a bancada federal do PT era composta de 5 senadores (um eleito em 1990 e 4 em 1994) e cincoenta deputados federais. Nas eleições de 1998, dominadas pela polêmica emenda da reeleição, o partido faria apenas 59 deputados federais, três senadores e três governadores. O modelo do partido “amador”, na terminologia de André Singer, parecia esgotado. Em 1997, José Dirceu era eleito de forma indireta para a presidência do PT, e com ele surge o chamado “partido profissional”.

Nas eleições de 2002, o partido faria 91 deputados federais, crescendo mais de 70% e Lula seria eleito presidente com 39,5 milhões de votos no primeiro turno e 52,7 no segundo. Em 2001, o PT tinha cerca de quinhentos mil filiados. Qualquer análise séria destes números deve levar em conta a nova gestão feita por Dirceu, mas também o absoluto fracasso do segundo governo de FHC e seu receituário neoliberal. O PT havia crescido suas bases até o máximo que o convencimento oral e a manutenção do “partido-raiz” conseguiram até 1998. O salto dado em 2002 é certamente maior do que o PT. A classe média, cansada e empobrecida, não comprou mais o discurso engomado do PSDB. Lula por seu turno, deixou de usar camisa polo vermelha e figurar como um líder sindical, para vestir terno e gravata. O famoso “lulinha paz e amor”.

De 2002 a 2014, entretanto, durante o momento mais alto da Era Lula e depois o primeiro governo Dilma, o número de deputados federais que o PT elegeu caiu constantemente. Foram 83 em 2006, 73 em 2010 e apenas 70 em 2014. O PMDB mantinha-se como a maior bancada no plano Federal. Já nos municípios, o PT ameaçava seriamente o controle do PMDB. Em 2012 o PT governava 37 milhões de pessoas em termos municipais, batendo pela primeira vez na história da República pós-64 o PMDB, embora fosse apenas o terceiro partido em número de prefeituras. Para um partido que nunca havia feito mais do 5% dos votos totais nas eleições municipais este era um indício perigoso para o fisiologismo do PMDB.

Em 2006, em função do mensalão muitos declararam o Partido dos Trabalhadores “morto”. Inclusive há versões sobre análises internas da oposição à Lula, de que seria melhor evitar o impeachment e deixa-lo “sangrar”. Em 2006, após o primeiro ataque midiático-jurídico ao PT Lula se reelegia com 46,5 milhões de votos no primeiro turno (mais do que na eleição anterior) e 52,2 milhões no segundo turno. O aumento do número de votos supera o crescimento do número total de votantes, mostrando que Lula e o PT ganhavam votos em meio à crise. Ainda, o partido passava de 411 prefeitos eleitos em 2004 para 564 eleitos em 2008 e atingiria o auge de 635 em 2012.

A pergunta que se deve fazer é, este aumento do PT durante o período de crise é efetivamente “PT”? Penso que não. O tamanho de um partido de matriz rígida ideológica é sempre pequeno. O PSOL padece deste problema. Para crescer e amealhar espaços efetivos no sistema federal é preciso aumentar o conjunto de pressupostos ideológicos aceitos como válidos. Alguns dirão que o PT “aumentou demais” o seu conjunto, mas penso que aqui jogou ainda o papel da classe média, embalada pelo crescimento da economia. Em 2010, Dilma faria 47,6 milhões de votos no primeiro turno (mais que Lula em 2006) e 55,7 milhões no segundo turno. No início de 2013, Dilma atingia 79% de aprovação, em 19/3, segundo o IBOPE. O índice era maior que Lula e FHC em seus primeiros mandatos.

Em 2013, começa o ataque ao PT e ao governo Dilma. Primeiro as chamadas “Jornadas de Junho” e, em seguida a campanha presidencial do PSDB coloca em movimento as ferramentas das redes sociais. A economia já dava sinais de retração, seja pelo custo da crise internacional e o recuo das demandas de China e União Européia (nossos dois maiores compradores), seja pela fim do “superciclo” das commodities, o que se vê é que o orçamento brasileiro passa a diminuir. Logo em seguida, em 2014, temos a criação dos grupos protofascistas no Brasil (MBL e assemelhados), hoje se sabe que com financiamento internacional e de partidos como PSDB e PMDB. E recrudesce a Lava a Jato com a tática de Sérgio Moro dos vazamentos para “ganhar o apoio da população”, como ele indicaria em artigo escrito em 2004.

Mesmo com forte ataque midiático, e social (com os movimentos de internet direcionados pela histeria comunista) o PT faria nas eleições de 2014 seu maior número de governadores, cinco. O número de filiados em 2015 crescia mais de 80% em relação a 2014 e era o maior registrado entre os partidos no Brasil. O partido que tinha cerca de 840 mil filiados em 2005, vai atingir quase 1 milhão e seiscentos mil em 2014, aumentando ainda mais este número nos anos seguintes.

No ano de 2014 ocorre um fato que é cabal para o impeachment e o acirramento da campanha de criminalização do PT. Ao mesmo tempo que se discutia no judiciário a proibição do financiamento de campanha por meio de empresas, José Dirceu, José Genuíno e outros políticos do PT conseguiam levantar imensas somas em doações espontâneas e individuais para fazer frente às multas impostas pela justiça. Gilmar Mendes, o representante da oposição no STF naquele momento, perde a compostura diversas vezes, pois via que o PT teria como financiar suas campanhas sem as empresas (o “partido amador”, lembram?), já a elite não. O desespero toma conta de Gilmar, que não só vota contra o fim do financiamento como pede “vistas” ao processo para que a lei não valesse para as eleições de 2016.

Diante de toda a crise política, da lava a jato, da crise econômica, das traições do PMDB e do custo midiático do constante ataque, nas eleições de 2016 o PT ganha apenas 255 prefeitos e faz 2812 vereadores, pouco mais da metade do que fez em 2012 (5181). Parte dos analistas políticos, da mídia e dos intelectuais “ex-esquerda” vestiram preto e sorriam felizes no velório do PT. Vociferavam o fim do partido com felicidade semelhante ao espanto com que receberam a notícia desta semana, de que o PT era o partido mais preferido pela população e que crescia o número de simpatizantes. Vários intelectuais postaram-se a fazer verdadeiras ginásticas retóricas que envolviam desde “compra de apoio por cargos” até a velha “falta de memória do povo”. Tristes pessoas.

A verdade é que a campanha colocada em prática desde 2013 fez desembarcar do projeto nacional petista a classe média que o tinha alçado à presidência em 2002. Mas o custo desta campanha é imenso, seja para o Brasil seja o custo individual, e esta classe média já percebe que a economia do projeto neoliberal vai lhe colocar de novo em 1998. Ainda, estão evidentes os abusos contra Lula (e também contra Vaccari, condenado por Moro a 15 anos, preso por quase dois e depois absolvido no segundo grau!). Isto tudo ajuda na recuperação dos índices do PT, mas o principal ponto é sua militância.

Em toda a turbulência, o militante do PT tem se mantido fiel. Não precisou trocar de candidato nem apagar fotos correndo, conforme provas robustas iam sendo apresentadas na mídia contra PSDB e PMDB. Lula é sem dúvida o grande nome para 2018, mas não subestimem o maior partido de massas de esquerda da América Latina. Tampouco imaginem que a classe média é completamente manipulável. Quando começa a faltar comida na mesa não adianta vídeo no youtube, pastor entregando panfleto anticomunista ou palestra motivacional de “empreendedorismo”. A verdade é que alguns fizeram um velório sem corpo. Riram antes da hora e agora não sabem explicar o motivo do crescimento do PT. Desconfio, pela ética dos comentaristas, que vai acabar terminando no “povo”. Vão voltar a dizer que o povo é “burro” e “sem memória”. Tudo fazem para conseguir uma “democracia sem povo”, uma democracia “mais limpinha e cheirosa”. As máscaras caem mais rápido do que eles conseguem recolocá-las.

terça-feira, 13 de junho de 2017

MIRIAM LEITÃO SEMEOU VENTO; COLHEU TEMPESTADE.



Miriam Leitão não é terrorista. Adjetivá-la assim é covardia, sobretudo por ter sido ela presa pela Ditadura. Empurrar sua cadeira, como a jornalista relatou no artigo de hoje, é mais grave ainda, é agressão e merece todo repúdio.

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Dito isso, há vários entretantos, contudos, todavias e poréns nessa história toda.

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O primeiro entretanto se chama empatia. Para a Psicologia, empatia é a identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la.

Miriam provoca nossa empatia com o seu texto. Sentimos dó, pena, nos colocamos no lugar dela e podemos perceber a injustiça, a agressividade, a sensação de impotência...

Mas, pôde Miriam, n´algum momento, se colocar no lugar dos petistas? Pôde a jornalista pensar sobre os sentimentos dos militantes? Conseguiu ela refletir sobre quais reações suas opiniões e posturas poderiam provocar ao longo destes anos?

Por óbvio a ação dos dirigentes naquela aeronave foi errada e por muitos já condenada. Mas ninguém vai se colocar no lugar deles? Lanço aqui um desafio a Miriam e a todos que estão com o dedo em riste acusando os petistas de serem intransigentes, intolerantes e até violentos.

Se coloca no nosso lugar.

Põe uma camisa da CUT e vai andar no Eixão, para saber o que é coação.

Veste um boné do MST e experimenta ir ao Iguatemi, para ver o que é intolerância.

Nas redes sociais, tenta defender Lula e entenderá o que é perseguição.

Pega o mesmo vôo de volta a Brasília com a camisa do PT e saberá o que é manifestação de ódio...

Não estou defendendo o revanchismo, o olho por olho, o justiçamento. Longe disso. Mas não posso deixar de pontuar a parcela de responsabilidade que outros personagens tem sobre a consolidação deste cenário, extremado e perigoso.

Quem semeia vento, sem erro, colhe tempestade.

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Eu sempre fui bastante liberal neste quesito: políticos, personalidades, figuras públicas, tem que saber que estão expostos a manifestação popular. Lembram quando Dilma foi vaiada numa universidade nos EUA? Escrevi texto defendo o direito do cara de fazer isso.

Acho errado abordar a figura pública quando está no "dia de folga", em ambiente privado, com a família e filhos, etc. Agora, na rua? No aeroporto? Mas é claro que pode. No linguajar católico, é nosso dever e nossa obrigação.

Querer transformar isso em crime, deselegância ou coisa que o valha, se aproxima de Dória e sua ridícula tentativa de censurar críticas a ele nas redes sociais, ou a Temer e a grotesca iniciativa de proibir uso de sua imagem em memes nas redes sociais. Miriam Leitão, assim como toda e qualquer pessoa pública, tem que se submeter, sim, a um possível constrangimento popular. Digo e repito: sem covardia, agressão ou injúria.

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Outra coisa , me lembrou o amigo Fernando Stern, ela sofisma ao dizer que a emissora foi fundada depois de Getúlio, afinal de contas o jornal O Globo existia e foi, sim, atacado após seu suicídio (ver abaixo).

Ela, nesse caso, acusa os petistas não ter conhecimento histórico mínimo. Ou a carapuça serve para ela; ou foi cinismo puro. Vai saber...

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PS: por curiosidade, não mais que isso, dá um Google na expressão "Miriam Leitão repudia ataques ao PT"... Que tal?

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Sobre o ataque ao Globo:

No entanto, após o suicídio de Getúlio, os veículos de imprensa, artífices do golpe foram também golpeados pela população ensandecida.

A "Tribuna da Imprensa" de Lacerda foi empastelada. A redação de 'O Globo' foi atacada, carros do jornal foram destruídos, o 'Jornal do Commercio' teve sua oficina invadida, vários dos 17 jornais foram alvos da massa", diz Janio de Freitas.



http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/151113/Janio-conta-como-Get%C3%BAlio-foi-morto-pela-m%C3%ADdia.htm 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

DEMOLIDOR DE IBOPES



Nas últimas três eleições na Bahia os institutos de pesquisa ficaram nacionalmente conhecidos pelos erros em suas previsões. Apesar das urnas darem a vitória aos candidatos do PT já no primeiro turno, as sondagens sempre mostraram vantagem para os candidatos do DEM e seus aliados.

Foi divulgada na manhã desta sexta-feira (09) pela Record TV Itapoan, levantamento sobre a intenção de votos dos eleitores baianos para o Senado, em 2018, quando haverá duas vagas para a Bahia.

Jaques Wagner (PT) aparece na frente (36,1%) dos demais candidatos em todos os cenários pesquisados, superando adversários do DEM, PSDB e PMDB com mais que o dobro das intenções de voto.

Se até o Instituto Paraná está admitindo a liderança de Wagner, das duas uma: ou a vantagem é tão grande que não deu para esconder; ou querem fazer as pazes com o eleitorado e não cometer os erros de 2014, 2010, 2006...

(Texto circulando nos grupos de WhatsApp da Bahia. O #Blog não identificou autoria.)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DA BAHIA


A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DA BAHIA

Vamos direto ao ponto: a Bahia é hoje o melhor lugar para se investir no país. As condições necessárias a um ambiente favorável para o desenvolvimento econômico são segurança jurídica, infra-estrutura instalada e eficiência na gestão. E tudo isso se vê na Bahia.

Em um cenário nacional adverso, marcado por instabilidade e incertezas, e mesmo enfrentando forte queda em suas receitas - somente do FPE a Bahia perdeu mais de R$ 1,5 bilhão entre 2013 e 2015 - nosso Estado é exemplo para o Brasil. O Governo Rui Costa alia racionalidade e austeridade, sem atrasar salários, abandonar investimentos, nem paralisar obras.

E por falar em obras, é difícil destacar somente algumas. São muitas, são estruturantes e tem, junto com as políticas sociais, mantido um nível de atividade econômica ímpar. Em andamento, temos a Linha 2 do Metrô, a Linha Azul, a Linha Vermelha, a Via Barradão, a Via Metropolitana e o Anel Viário de Candeias. A caminho, a Linha 3 do Metrô (Pirajá, Águas Claras e Cajazeiras); o VLT do Subúrbio; e a Nova Rodoviária. Quem circula o Brasil sabe que não há lugar com tantas e tão importantes obras.

A Bahia deixa evidente, assim, que possui um governo sólido, marcado pela responsabilidade, que cumpre seus compromissos e garante um excelente ambiente de negócios para o investidor.

E é neste contexto que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), sob a condução do ex-ministro Jaques Wagner, tem atuado na atração e promoção de investimentos, nacionais e estrangeiros, para os setores estratégicos da economia baiana. A SDE tem agido, em articulação com diversos outros setores de governo, para oferecer aos novos empreendedores incentivos fiscais, concessão de áreas, regularização fundiária, licenças ambientais, investimentos em infra-estrutura, enfim, um leque de estímulos e benefícios para quem quer se instalar e produzir, de maneira responsável e sustentável, na Bahia.

Somente nos quatro primeiros meses de 2017, foram assinados na secretaria 43 protocolos de intenção, com a estimativa de investimentos de R$ 1,6 bilhão e geração de mais 5 mil novos empregos, nos mais variados setores, tais como Química, Petroquímica, Mineração, Energias Renováveis, Economia Criativa e da Cultura, Agronegócio, Agricultura Familiar, Calçadista, dentre outros.

Além dos incentivos citados, apostamos também nosso maior potencial de atração: o povo baiano. Sempre acolhedor, que sabe receber e tratar bem os seus visitantes, o baiano tem um compromisso com o trabalho que favorece ganhos de produtividade, como em poucas regiões do país.

Assim, não temos dúvida em (re)afirmar que hoje a Bahia é a melhor opção de investimento no país. Estado que gera crescimento, com segurança jurídica e eficiência, sem abrir mão do desenvolvimento social e elevação da qualidade de vida da sua gente. Os versos eternizados por Caymmi seguem cada vez mais verdadeiros: "A Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem".

Éden Valadares é assessor-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Hoje o site Bocão News publicou artigo meu sobre a Política de Desenvolvimento da Bahia (reproduzido acima). Fica a sugestão de leitura: http://www.bocaonews.com.br/artigo/577,a-politica-de-desenvolvimento-da-bahia.html 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CRISE SISTÊMICA

O #BlogDoÉden reproduz editorial Le Monde Diplomatique Brasil (edição 117, de abril de 2017, sobre a crise que enfrenta o Sistema Político Brasileiro atualmente. Vale a reflexão.

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Agora que todos os partidos políticos, o Executivo e o Legislativo (e logo mais o Judiciário) são denunciados por práticas de corrupção, vai se caracterizando uma crise sistêmica do sistema político, capturado pelos interesses das grandes empresas.

Embora 70% dos brasileiros considerem a democracia o melhor sistema de governo, apenas 32% apoiam a democracia que temos, uma queda de 22 pontos percentuais se comparado 2015 a 2016; 55% declaram que não se importam se um governo não é democrático, desde que solucione os problemas.¹

Pesquisas realizadas no período das últimas eleições identificam que 57% dos eleitores não votariam se o voto não fosse obrigatório.² E 70% dos eleitores estão indecisos ou votarão branco e nulo nas eleições de 2018.³

Quanto à avaliação do governo Temer, sua desaprovação cresce a cada mês. Em janeiro, era 59%; em fevereiro, 62%; em março, 75%; em abril, 87% julgam o governo ruim ou péssimo. Apenas 4% julgam o governo atual positivo.

A Lava Jato, ao tornar pública essa vasta gama de iniciativas de corrupção, gera a repulsa da sociedade a essas práticas, mas também ao sistema político que as viabiliza.

E como chegaremos às eleições de 2018 neste cenário de descrédito e suspeição?

Lula ressurge, com 47% de potencial de votos (30% votariam com certeza, 17% declaram que poderiam votar), como o mais forte candidato para 2018. Sua rejeição caiu 14 pontos desde o impeachment da presidenta Dilma, igualando a marca dos que o apoiam. Comparando a pesquisa de outubro de 2015 com a atual, seus adversários do PSDB despencam na preferência eleitoral. Aécio tinha 41%, caiu para 22%. Serra tinha 32%, caiu para 25%. Alckmin tinha 29%, caiu para 22%.5

Outra pesquisa atual mostra o crescimento de Lula: dezembro de 2016, 35%; abril de 2017, 45%. O PT recupera parte de seu eleitorado: dezembro de 2016, 15%; abril de 2017, 20%. Nessa mesma pesquisa, o PSDB aparece com a preferência de 4%.6

O impasse é duplo: o descrédito no sistema político e nos partidos de direita e o crescimento de Lula e do PT. O golpe não foi dado para dois anos depois o governo ser entregue novamente aos petistas. Assim, as chances de Lula ser condenado na Lava Jato e perder seus direitos políticos são grandes. Independe se ele é culpado ou não, assim como foi com a presidenta Dilma. Nossas elites não querem mais um projeto de governo que limite seus ganhos, imponha-lhes controles e aumente o custo de reprodução da força de trabalho.

Nessa situação, promover uma reforma política antes de outubro deste ano, para valer para as próximas eleições, é visto como a tábua de salvação para a maioria dos ocupantes do Congresso e para o Palácio do Planalto. Acreditam que a reforma política legitimaria o sistema político perante o eleitorado e garantiria para si mecanismos de financiamento eleitoral e regras do jogo para aqueles que só ganham eleições com muito dinheiro. O foco, agora que as empresas estão proibidas de financiar campanhas eleitorais, é o fundo público eleitoral.

A reforma do sistema político não pode ser feita pelos atuais congressistas, já que 70% deles foram financiados por dez grandes grupos econômicos e obedecem a seus interesses. Ela tem de ficar para 2019, já num novo cenário pós-eleitoral, que não sabemos qual será.

A reforma política não pode se restringir a definir novas regras, se o voto será distrital ou não, se a lista dos candidatos será aberta ou fechada, se haverá um filtro que impeça os partidos nanicos de disputar eleições etc. É preciso ir mais fundo, são os fundamentos da nossa democracia que estão em causa.

Se hoje a política é controlada pelas grandes empresas, como fazer para que a democracia controle a economia? Como limitar o poder do dinheiro na formulação das políticas? Como fortalecer os setores empobrecidos para a disputa pelos recursos públicos? Como garantir a representação das minorias discriminadas nas decisões de governo? Como enfrentar a política tributária regressiva e garantir serviços públicos de qualidade, universais e gratuitos? Como enfrentar a desigualdade e a crise ambiental? Precisamos de um novo modelo de democracia, mais inclusivo, mais participativo, mais justo.

Com a irritação popular chegando às raias das explosões sociais, como ocorreu com os professores do Paraná, com os funcionários públicos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com a recente invasão por policiais da Câmara dos Deputados, em Brasília, e muitas outras manifestações, a situação política fica extremamente delicada. Condenar Lula, um candidato à Presidência da República que conta com 47% de potencial de voto, seria acender um fósforo perto de um barril de pólvora…

Mas, mesmo que seja cassado, Lula continuará sendo um grande eleitor. E não se pode ignorar a importância das eleições para o Congresso Nacional. Os defensores da democracia precisam se engajar nas eleições do futuro Congresso Nacional. Resgatar a ética na política e garantir a democracia como espaço e modo de negociação de interesses. É com o futuro Congresso que aprovaremos a Constituinte independente para a reforma do sistema político.


terça-feira, 23 de maio de 2017

TRISTE BRASIL...



Brasil em (tristes) números:

SEIS CONSTITUIÇÕES FEDERAIS
1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988

NOVE MOEDAS
Reis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro (terceira vez), Cruzeiro Real e Real.

SEIS VEZES CONGRESSO FECHADO
1891, 1930-34, 1937-46, 1966, 1968-69 e 1977

SETE GOLPES DE ESTADO
1889, 1930, 1937, 1945, 1955, 1964 e 2016

TREZE PRESIDENTES QUE NÃO CONCLUÍRAM O MANDATO
Deodoro, Afonso Penha, Rodrigues Alves, Washington Luís, Júlio Prestes, Getúlio Vargas, Carlos Luz, Jânio Quadros, João Goulart,Costa e Silva, Tancredo Neves, Fernando Collor e Dilma Rousseff.

TRINTA E UM PRESIDENTES NÃO ELEITOS DIRETAMENTE
Deodoro, Floriano Peixoto, Prudente, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Penha, Nilo Peçanha, Fonseca, Venceslau, Rodrigues Alves, Delfim Moreira, Epitácio, Arthur, Washington Luis, Júlio Prestes, Vargas, José Linhares, Café Filho, Carlos Luz, Nereu Ramos, Ranieri Mazilli, João Goulart, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Tancredo Neves, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.